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Sabiá, um multiatleta da terra e água, mas principalmente do ar

Você talvez não faça ideia de quem é Luiz Henrique Tapajós, mas certamente já viu e acompanhou as façanhas do paraquedista “Sabiá”, seja pelos céus do planeta, em campeonatos no Brasil e no mundo ou em programas dos canais Globo, ESPN e Off. Este multiatleta, que recentemente começou a aparecer por aí ao lado de outro pássaro (só que de verdade - o falcão femêa Zandira) -, é um dos mais queridos do Brasil, daqueles que sempre estão dispostos a ajudar até os mais inexperientes, sempre com um sorrisão no rosto. Nesta entrevista exclusiva, ele nos conta como começou a voar, quais foram seus maiores desafios, como é o cuidado com a Zandira e quais são seus futuros planos. Confira!

 

Como e quando você fez seu primeiro salto de paraquedas e o que sentiu?

Meu primeiro salto foi em Pindamonhangaba (SP) em 1985, com um paraquedas redondo, chamado T10, que até hoje é usado por militares, mas naquela época era também usado por civis – não é mais. Tive a certeza de que tudo o que eu mais queria fazer era saltar de paraquedas. E assim começou.

 

Virou paraquedista imediatamente depois disso ou levou um tempo para digerir a ideia?

Na verdade eu virei paraquedista alguns meses antes do meu primeiro salto, quando vi outras pessoas saltando. Não é que eu fui fui lá simplesmente fazer um salto, como muita gente. Não. Eu já tinha a ideia fixa, apesar de ter 13, 14 anos, e de que era um esporte desconhecido, sem profissionais no Brasil. Com certeza virei antes. Aquilo ali estava no meu espírito.

 

E como virou profissional do esporte?

Fui me tornando profissional pela vontade de saltar muito. Comecei dobrando paraquedas para conseguir dinheiro para saltar e depois comecei a filmar em queda livre. Então parei de pagar e logo em seguida já recebia salário para ser cameraflyer. Depois, sem querer, acabou aparecendo a história da televisão e acabou virando meu trabalho. Hoje misturou tudo. Continuo trabalhando na dobragem (de principal, reservas e de basejump), ensinando, filmando e na TV. Este foi o meu caminho de profissionalização e graças a Deus que consegui seguí-lo.

 

Em quais modalidades do paraquedismo você atua? Qual dá mais adrenalina? E qual é a sua preferida?

Eu sou completamente apaixonado por todas as modalidades do paraquedismo: Formação em Queda Livre, Freefly, Base Jump, Wing Suit e TRV (que é a formação com os paraquedas abertos). Cada uma tem o seu charme, cada uma dá uma adrenalina diferente. É como se fossem esportes diferentes. Uma Formação em Queda Livre não tem nada a ver com um voo de wing suit a partir de um penhasco. O Base Jump, por exemplo, é com certeza outro esporte. Não é paraquedismo, apesar de a gente usar paraquedas.

O que eu mais gosto de fazer é wing suit de montanha, mas gosto também de Free Fly e grandes formações em queda livre. Apesar de eu já ter sido campeão brasileiro de formações pequenas – com 4, 8 e 10 pessoas -, eu gosto de formações com mais de 100 pessoas. Impossível dizer qual é a modalidade preferida e qual dá mais adrenalina. Cada uma é um tipo. No TRV é o medo de se enroscar com alguém. O Base Jump é um esporte de risco que hoje em dia mata muita gente. Freefly eu fazia muito na década de 90, quando filmava skysurf. É isso. Sou apaixonado por tudo o que envolve paraquedas e queda livre.

 

Qual foi seu melhor salto e por que?

Impossível citar um. Vou listar alguns dos melhores: o salto da mão do Cristo Redentor, o da Torre Eiffel, o primeiro que fiz do El Captain, na Califórnia, o primeiro da Cachoeira da Fumaça, o da Gruta dos Brejões, na Bahia, que foi um salto histórico na minha vida, e o das Petronas Twin Towers, na Malásia (que ficam em Kuala Lumpur e compõem o 6º edifício mais alto do mundo, com 88 andares e 452 metros). Taí uma lista de saltos que bastariam para formar um currículo montruoso.

 

Quais são os outros esportes de ação que pratica?

Sou um voador, então sou apaixonado por parapente, pela facilidade da mochila que te coloca em voo; asa delta, que abandonei pela logística que exige de acompanhamento e transporte e que só faço de vez em quando; e sou piloto de ultraleve e avião monomotor. Além disso, sou faixa roxa de jiu jitsu, apaixonado por snowboard e pratico esportes de mar por diversão, como kitesurf, surfe, Stand Up Paddle e caiaque. Também dou rolezinhos de skate e há um ano estou aprendendo highline, que é slackline em altura, alucinante. Gosto muito de todos esses esportes. Sou um esportista. Minha vida é esporte. Se eu nunca fiz um esporte de ação, por favor, me leva!

 

Em qual lugar nunca saltou e pretende?

Um lugar do qual eu gostaria de saltar é uma caverna no México que hoje em dia está proibida, alta pra caramba, que daria um salto alucinante. Queria ter feito e nunca fiz, mas quem sabe um dia?

 

Como a Zandira entrou na sua vida?

Eu sempre fui apaixonado por aves de rapina. Eu não conseguia entender como uma pessoa podia treinar uma ave de rapina. Via na televisão, cheguei a procurar como comprar e treinar, mas nunca consegui. Então um dia conheci o Percílio, meu grande mestre, encantador de falcões, o responsável e criador do Parque dos Falcões, em Itabaiana, Sergipe. Quando cheguei naquele lugar foi tudo o que sonhei na minha vida. E quando falei do meu sonho de voar com o bicho, ele falou “vamos fazer”. Começou com Zandora, irmã mais velha de Zandira, que foi o primeiro bicho que treinei, mas não consegui voar com ela. Depois veio a Zandira, que eu treinei, voei desde filhote, e que virou um caso de amor entre pássaros que vai ser para o resto da minha vida.

 

Quais conselhos dá para quem está começando no paraquedismo?

O paraquedismo é um esporte maravilhoso, mas que ao longo do tempo ficou muito caro. A pessoa tem que ter um poder aquisitivo muito maior do que antigamente. Os equipamentos, as aeronaves, tudo ficou mais caro. Então o público paraquedista acabou mudando e isso gerou mudanças de comportamento. Hoje em dia tem a história do túnel de vento e da facilidade na dobragem do paraquedas por dobradores. Às vezes o dinheiro paga um negócio que é errado. Dobrar paraquedas é uma obrigação de cada paraquedista, navegar e pousar com segurança também. Então o conselho que eu dou para quem está começando é para não se entregar ao mundo da facilidade, onde o dinheiro compra tudo. O dinheiro não compra osso quebrado. Aprenda a navegar e pousar com segurança. Se dedique a isso. Escute os mais experientes. E o mais importante: aprenda a dobrar seu paraquedas porque ele é segurança, é a vida.

 

E quais dá para quem quer virar um basejumper?

Recomendo bastante treino e bastante dedicação, principalmente na dobragem do paraquedas, navegação e pouso, como já falei, além de obviamente procurar pessoas que saibam o que estão fazendo. Tem muito doidão, tem muita gente “oba oba” do youtube. Fujam disso. Se baseiem em técnica, porque é um esporte maravilhoso e super seguro quando feito direto. Mesmo o salto mais punk, mesmo o mais perigoso, pode ter segurança. Diferente daquele cara que pega o salto mais simples e o transforma num perigo constante.

 

E daqui pra frente? O que espera?

Hoje em dia voar de parapente com a Zandira é uma das maiores alegrias da minha vida e eu também ganhei um filhote novo, o Zyron, uma águia de cauda branca, que vou começar a treinar para voar comigo.

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