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Cicloturismo no Brasil e na América do Sul: como começar e por onde ir

O jornalista, escritor e explorador Guilherme Cavallari dá as dicas para quem quer viajar de bicicleta e indica suas rotas favoritas no Brasil e em países vizinhos. 

Se você quer dar um passo adiante nas suas experiências sobre duas rodas, uma opção interessante é o cicloturismo, ou viajar de bicicleta. Como em qualquer boa aventura, o planejamento é essencial para que a atividade transcorra tranquilamente. Segundo Guilherme Cavallari, fundador da Kalapalo Editora, autor de 17 livros e coautor do premiado documentário Transpatagônia, para traçar este tipo de roteiro é essencial que o praticante tenha condicionamento físico adequado, habilidades, conhecimento e domine as tecnologias necessárias.

“Preparar-se é melhorar o desempenho físico e psicológico, estudar o local a ser visitado e as técnicas necessárias para chegar até lá e voltar com saúde. Também é crucial adquirir e saber utilizar a tecnologia necessária para garantir o sucesso”, diz ele.

Mas por onde começar, então? Iniciantes devem dar os primeiros passos com viagens curtas e não muito distantes de casa. Ao obter preparo e confiança, poderão experimentar viagens internacionais, que demandam mais condicionamento físico. “Ganhar força e resistência é um processo que exige tempo e disciplina”, avalia Cavallari.

Segundo o especialista, tudo depende do destino, do estilo da viagem e do viajante. “Não há regras. Se for um roteiro de ‘cicloturismo esportivo’, no qual o ciclista dorme em pousadas e come em restaurantes todos os dias, basta uma pequena mochila com uma muda de roupa. Mais nada. Se for um roteiro de ‘cicloturismo autossuficiente’, onde o ciclista é obrigado a acampar e preparar suas refeições, a lista de equipamentos inclui barraca, saco de dormir, fogareiro, panela, comida e afins. A verdade é que cicloturismo é uma atividade bastante intuitiva. Basta começar a pedalar e as respostas aparecem”.


Vai lá

Manual de Mountain Bike & Cicloturismo, de autoria de Guilherme Cavallari

Kalapalo Editora, 2012, 178 páginas, R$ 35.

Cursos e treinamentos no Refúgio Kalapalo (Gonçalves, MG). Mais informações: http://www.kalapalo.com.br/index.php/cursos/


Dicas do especialista:

Carretera Austral, Chile

“Essa estrada de terra de 1.200 km de extensão é prima-irmã da nossa Transamazônica, com a diferença que a Carretera Austral deu certo. Quando falamos em pedalar pela Patagônia, o roteiro que o mundo imagina é a Carretera Austral. Cicloturistas do mundo todo vão para o Chile sonhando com esse roteiro e nós, brasileiros, temos ele no nosso quintal. Em um mesmo dia de pedal é possível percorrer trechos com alicerces gigantes, árvores de milhares de anos de idade e parentes das sequoias, geleiras despencando das montanhas, fiordes onde o Oceano Pacífico invade o continente, áreas de semiárido e florestas densas de aparência tropical. É possível acampar em qualquer lugar, sem o menor risco de assalto ou incômodo. Sou suspeito para falar desse roteiro, que já fiz várias vezes e inclusive produzi um livro com seu mapeamento detalhado para cicloturismo, o Guia de Trilhas Carretera Austral (Kalapalo Editora, 2010, 136 páginas, R$ 35)”.



Terra do Fogo, Argentina

“É o extremo sul da Patagônia, onde o continente transforma-se num arquipélago confuso e intrincado de canais, fiordes, ilhas de todos os tamanhos e o oceano mais selvagem do planeta. Não existem roteiros oficiais, mas um emaranhado de estradas de terra em qualquer condição e trilhas, muitas trilhas. Não existem muitos lugares no mundo onde o homem moderno ainda consegue brincar de ‘explorador’. A Terra do Fogo é um desses lugares. Quem quiser inspiração para a viagem, sugiro assistir ao filme Transpatagônia, que narra a viagem de seis meses que fiz sozinho de bicicleta por toda a Patagônia e a Terra do Fogo. O filme está disponível no Netflix, Canal Brasil, Google Play e iTunes”.


Serra da Mantiqueira – SP, MG, RJ

“A região é relativamente bem preservada do ponto de vista ambiental, além de ser celeiro cultural. É das mais montanhosas do Brasil, ideal para a prática do mountain bike, trekking, montanhismo e escalada em rocha. Ciente da importância estratégica da Mantiqueira para o cenário de aventura nacional, mapeei toda a Serra da Mantiqueira para mountain bike e cicloturismo no livro Guia de Trilhas Ciclomantiqueira (Kalapalo Editora, 2009, 128 páginas, R$ 35).


Serra Geral – SC, RS

“Em particular a região entre a cidade de Blumenau, em Santa Catarina, e a cidade gaúcha de Gramado (“Blugrama”). Entre os dois municípios turísticos encontram-se parques nacionais, cânions, a Serra Catarinense, a Serra Gaúcha, rios cristalinos repletos de trutas, bosques de araucárias, muros centenários que seguem por centenas de quilômetros erguidos por escravos, dividindo antigos pastos e muita história. Considero essa região ‘a Patagônia brasileira’ e por isso também produzi um livro com todo seu mapeamento para mountain bike e cicloturismo, o Guia de Trilhas Serra Geral (Blugrama) (Kalapalo Editora, 2011, 136 páginas, R$ 35).


Serra da Mantiqueira – Gonçalves, MG

“Depois de ter pedalado por toda a Mantiqueira, por toda a Patagônia e a Terra do Fogo mais de uma vez, decidi morar em Gonçalves por considerar o lugar mais bonito em toda a serra. Diferente de lugares mais turísticos, onde a cultura local se perdeu em shopping centers, baladas e condomínios, a cidadezinha de Gonçalves ainda preserva sua origem tropeira, sua cultura caipira, sua fisionomia da roça. Não faltam estradinhas de terra e trilhas aos aventureiros, com o prêmio da comidinha mineira feita no fogão a lenha depois do pedal. E quem quiser companhia para pedalar por aqui, é só me procurar no Refúgio Kalapalo, a escola de aventura a abrigo de montanha onde vivo a 1.585 m de altitude, ao pé da maior montanha da região, a Pedra Bonita (2.100 m)”.