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Nelson Barretta conta tudo sobre a Antártica

O alpinista paulistano Nelson Barretta já permaneceu mais de 500 dias na Antártica nos últimos 25 anos, o que representa quase 1 ano e meio. Sua função é apoiar militares e pesquisadores do Programa Antártico Brasileiro no inóspito ambiente, além de registrar belíssimas imagens.

Na entrevista a seguir Barretta narra suas experiências e dá dicas de como conhecer o destino, mesmo que em expedições turísticas. Se gostar e quiser saber mais, apareça na palestra que ele fará na Adventure Sports Fair 2018 no próximo dia 20 de outubro, às 18 horas. Imperdível!

Como se interessou em conhecer a Antártica?

A ideia nasceu, sem eu me dar conta, de uma feira de ciências que acontecia nas escolas de São Paulo. Fui incluído num grupo para fazer uma apresentação sobre a Antártica e acabei indo ao Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo para procurar material. Lá consegui uma amostra de líquens e um exemplar de um peixe.

Anos depois, já envolvido com o montanhismo, me deparei com a possibilidade de servir ao país através do Programa Antártico Brasileiro, na qualidade de alpinista.

Como funciona o processo de seleção para a viagem? Quais são os requisitos para os interessados? Há provas teóricas e físicas?

A Marinha do Brasil disponibiliza a logística necessária de transporte, abastecimento e permanência dos brasileiros na Antártica. Assim, um militar na ativa pode se voluntariar para servir lá.

Já as universidades são responsáveis pelos projetos científicos a serem desenvolvidos na Antártica. Assim, cada departamento de cada universidade tem a possibilidade de escrever um projeto que deve ser submetido ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Se aprovado, a Marinha trata de incluí-lo na programação do ano em questão.

A participação em um Treinamento Pré-Antártico (TPA), conduzido pela Estação de Apoio Antártico no Rio de Janeiro e com duração aproximada de uma semana, é obrigatória. Depois são avaliados requisitos mínimos para que uma pessoa possa ser levada a Antártica pelo Programa Antártico Brasileiro.

Com o que você trabalhava na época de sua primeira viagem?

Tive a oportunidade de participar como aluno e instrutor do TPA em 1991, se não estou enganado. Faz tempo! Naqueles dias eu trabalhava como guia em regiões naturais e remotas, além de ser colaborador do Corpo de Bombeiros nas instruções de salvamento em altura.

Na minha primeira candidatura para ir à Antártica como alpinista fui considerado não apto pelo Clube Alpino Paulista. Mantive minhas atividades normalmente até me inscrever pela segunda vez, quando fui aprovado.

E como foi a viagem?

Fui designado para atender à demanda de projetos científicos que estavam sendo realizados na Península Keller, onde fica a Estação Antártica Comandante Ferraz, do Brasil, que viria a ser considerada por mim como segundo lar nos anos seguintes.

Eu atendia a orientação dos oito militares brasileiros que cuidavam da Estação, todos nós orientados por um chefe.

Quantas vezes você já esteve lá e fazendo qual atividade na maioria das vezes?

Tive a oportunidade de desenvolver os trabalhos como alpinista nos últimos 25 anos, não consecutivos, durante os verões. Mas, na verdade, sempre me considerei um privilegiado, pois tive a oportunidade de aprender como funciona a Marinha do Brasil e aprender com os melhores pesquisadores do Brasil assuntos de cada ciência estudada.

Você sempre foi em avião ou já fez a travessia de barco?

Daqui até a área de atuação do Brasil, o transporte é feito através de uma combinação da Força Aérea Brasileira e da Marinha do Brasil. Assim, sempre somos levados pelo Hércules C-130 da FAB ou por um dos Navios da Marinha do Brasil. Há outros meios de se chegar à Antártica, mas, no meu caso, sempre a trabalho, contei com as facilidades oficiais.

O que é mais desafiador nas expedições para lá?

A vida no acampamento demanda um treinamento físico mínimo e uma serenidade além da tradicional. Há isolamento, restrições e limitações de todos os tipos impostos pela situação ou pela força da natureza.

O acampamento tende a ser autônomo para que tenhamos condições de permanência, com o devido conforto e segurança, pelo período proposto. A liberdade é as vezes restringida pelos recursos disponíveis, que são em menor abundância em relação ao que temos em nossas casas.

Mas, o mais desafiador, é se manter em equilíbrio e sempre positivo junto ao grupo de acampantes, mesmo ante as diversidades.

Qual foi sua estada mínima e qual a máxima?

A menor foi de 3 horas, quando acompanhei um voo da Força Aérea Brasileira durante o período de inverno. O Hércules C-130 lança material de reposição e gêneros sobre a área da Estação brasileira e, às vezes, pousa em um aeródromo que está na mesma ilha. Essa operação de lançamento conta com a logística da Estantar RJ e é coisa de filme de sucesso. Muito empenho, muitos desafios, muita seriedade e sucesso. Tive a oportunidade de ir em um desses voos.

O maior período foi nos primórdios das Operações Antárticas, quando havia poucos alpinistas como opção e fui designado a permanecer na Estação durante todo o verão. Houve também outras oportunidades em que atendi três acampamentos consecutivos mas não sei precisar o tempo em dias. Talvez quatro meses.

O que te encanta lá?

Portas não são trancadas, dinheiro não tem valor, documentos não são solicitados todos os dias. É uma forma mais primitiva de sobreviver, onde o que mais importa são as relações entre todas as pessoas que lá estão em uma condição adversa e em prol de um trabalho de resultado revertido para o país.

Claro, recebo um salário que trata de tentar equilibrar a perda de trabalho que tenho no Brasil e também estou em um lugar com condições únicas no planeta, mas, me sentir como um brasileiro, desempenhando um papel verdadeiramente social, deve ser um dos fatores que mais me encantam.

Quais são curiosidades sobre o destino que a maioria das pessoas desconhece?

Há um silêncio profundo naquele lugar e o som, na minha percepção, me atinge de uma forma mais profunda. O silêncio total me permite escutar mais sobre mim e a escuridão mantém meus olhados focados no que sinto. Bem, isso é legal mas pode ser assustador para quem não se conhece.

É possível ver muitos animais ou eles ficam em áreas inacessíveis?

Sim, totalmente. Durante o verão, aproximadamente entre novembro e fevereiro, o continente experimenta temperaturas menos baixas e uma média de 3 a 4% das bordas ficam descobertas de gelo e neve. A vida aparece e se mostra. Há muito para se ver, observar, apreciar.

Como é a Estação Brasileira em termos de infraestrutura? E em comparação com estações de outros países?

A Estação Antártica Comandante Ferraz sempre esteve bem avaliada pelas comissões com representantes de outros países que tratam de vistoriar toda a região. A antiga Estação, apesar de simples, tinha um sistema incrível de gestão de resíduos e isso sempre nos manteve muito bem avaliados. Também oferecia conforto térmico e facilidades para se viver e conviver ali. Até acesso à Internet tinha.

A nova Estação vai seguir os mesmos preceitos e certamente contará com as mesmas facilidades, sendo a tecnologia mais moderna. Isso nos colocará entre as Estações mais modernas da região.

Pretende voltar para lá em breve?

Bem, sou novamente voluntário para prestar auxílio nas operações durante o próximo verão. Espero ter a oportunidade. Antes disso, quero dividir com as pessoas algumas imagens da geografia única daquilo tudo. Certamente poderei mostrar o trabalho do Programa Antártico Brasileiro, que tanto é motivo de orgulho para nós.

Sobre o Programa Antártico Brasileiro

A Antártica é o principal regulador térmico do planeta - controla as circulações atmosféricas e oceânicas e influencia o clima e as condições de vida. Além disso, possui as maiores reservas de gelo (90% do total), de água doce (70%) e de recursos minerais e energéticos.

Iniciado no verão de 1982, após a adesão do Brasil ao Tratado da Antártica, em 1975, o Programa Antártico Brasileiro tem motivações ambientais, climáticas, estratégicas, geopolíticas e econômicas. O país é o sétimo mais próximo à região.

Vai lá:

https://www.instagram.com/nelson.barretta/

https://www.marinha.mil.br/secirm/proantar

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