Navegue
por categorias

Entrevista: Araquém Alcântara

Desbravar o Brasil e conhecer de perto toda a nossa geografia e os diferentes ecossistemas é privilégio de um seleto grupo de fotógrafos do qual Araquém Alcântara faz parte. O catarinense de 67 anos é um dos precursores do movimento de fotografia de natureza e vem registrando toda a exuberância de nosso país há quase 50 anos, sem nunca deixar de retratar também as tristes mudanças que ocorrem de tempos em tempos.

“O Brasil está se transformando num deserto e, por isso, precisamos de atitude, clamor e indignação. É hora de acabar imediatamente com a devastação”, declara taxativamente ele.

Suas fotos podem ser conferidas em inúmeras reportagens publicadas em veículos de comunicação do Brasil e do exterior, exposições, palestras e em 52 livros próprios e outros 20 em coautoria com outros fotógrafos. Entre eles, destaque para o inédito Bicho Brasil, a ser lançado em dois dias (17 de maio de 2018).

“Quem viaja e trabalha na natureza tem uma percepção da beleza, da vida, e tem que ser humanista. Quem admira o que vê, tem que lutar pela integridade desses lugares para que as futuras gerações tenham o mesmo direito e o mesmo privilégio”, conta Araquém, que enfrenta inúmeros desafios em sua saga.

Quais são seus planos atuais?

Nesses momentos que antecedem meus 50 anos de carreira, que também marcam o movimento de fotografia de natureza no Brasil, está pintando uma explosão de reconhecimento. O coração bate mais forte.

No dia 17 de maio será lançado na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, o livro Bicho Brasil, com as melhores fotos de animais que reuni neste meio século.

Quais são seus lugares favoritos para fotografar no Brasil?

Não existe um lugar específico. Meu modelo de universo está nesse país de muitas fisionomias, na multiculturalidade brasileira, nesses muitos brasis, nas fisionomias, como do caipira, ribeirinho, caboclo, índio e gaúcho, que dão sentido a esse planeta Brasil. Existem geografias. Meu modelo de universo começou na minha aldeia em Santos, litoral de São Paulo, quando comecei a fotografar a miséria da baixada Santista e a poluição de Cubatão. Minha matriz criativa é a Mata Atlântica, a floresta Amazônica, mares, florestas litorâneas, cerrado, caatinga, zona costeira, matas de Araucárias.

Tenho o privilégio de estudar caras como João Guimarães Rosa, Manoel de Barros e tantos outros que descrevem cenários do Brasil. Viajo sob os signos desses caras.

Como você avalia a importância do seu trabalho para o país?

Talvez a minha maior contribuição, que entra para a história da fotografia, seja eu ter reunido todos esses ecossistemas que se transformaram em livros e em referências.

Elaborei um dos primeiros livros de Parques Nacionais nesse país. Essa contribuição, e toda essa obra, está sendo estudada nas escolas. É impressionante. Em cinco anos, parece que descobriram a loucura desse trabalho pelo qual sofri muito preconceito e encontrei muita dificuldade em realizar. Ele tem demonstrado que, por culpa do Estado e da falta de consciência coletiva, o Brasil está se transformando num deserto.

O que você tem visto pelo Brasil?

Nesses anos de documentação vejo muitas dificuldades. As pessoas conscientes perderam a luta para a miséria, idiotice, mediocridade.

A Amazônia está à beira de um abismo. Pesquisas apontam que ela está deixando de produzir florestas, árvores. Está produzindo menos partículas de transpiração, que regulam o clima da América do Sul. Acabando isso, vira o caos. Por isso a fotografia de natureza fala de política. É engajada.

Mesmo quando eu mostro a beleza, minha obra está totalmente voltada para a vida. Em defesa da vida. Essa é a história que resume minha sequência pelo país. Estou vendo um deserto. Como Euclides da Cunha diz, somos exímios fazedores de desertos. As matas de Araucária já foram 98,99% destruídas.

O que você acha que é preciso mudar?

O Brasil precisa de atitude, clamor, indignação, atitude. É preciso acabar com a devastação imediatamente. Parar de derrubar árvores. Não há políticas, não há atitude.

Como Franz Kafka diz, estamos cometendo um holocausto contra a natureza e não nos sentimos culpados por derrubar, em 10 minutos, séculos de maravilhosa construção. Esse país tem nome de árvore, e todas elas deveriam ser um patrimônio da nação.

Em alguns lugares não há a presença do Estado. Fazem o que querem. Impunemente. Esse descaso terá um retorno muito grave.

A minha aventurança é perceber que existe uma resistência surda. Há muita gente lutando por um país melhor. Existem muitas entidades, mas elas são muito fracas ainda. Não acompanham o ritmo da destruição.

Continuam matando ambientalistas. Somos o país que mais mata líderes ambientais no mundo inteiro. O que mais destrói madeira ilegal no mundo.

Já vi fazendeiro com mais de 15 processos no Ministério Público em Cuiabá. Nos encontramos numa viagem.

Os índios Piripkuras tiveram sua tribo dizimada por produtores de soja e foram perseguidos. No norte de Mato Grosso e no sul de Rondônia, não há lei nenhuma. Entre lembranças e esquecimentos tudo fica igual, normal, nada muda.

Existem lugares que viraram municípios através de madeireiras. Não têm estado, delegacia, não têm nada. É uma outra lei.

Como você entende a responsabilidade de aventureiros nesse processo?

A transformação começa individualmente sempre. É uma coisa espiritual. Tem que ser holístico. Tem que se ter uma percepção do mundo a partir da sua casa. Quem viaja e trabalha na natureza tem uma percepção da beleza, da vida, tem que ser humanista. Todo fotógrafo, aventureiro e viajante tem que ser humanista. Tem o privilégio de ver o que vê. Por isso, tem que lutar pela integridade desses lugares para que as futuras gerações tenham direito de ver essas coisas.

Quais são os desafios da fotografia de natureza no Brasil?

A base para se trabalhar numa questão política é ter o mínimo de coragem. É preciso entrar em mato com onça. Tem que fazer seu acampamento. Esperar. Saber se proteger. Saber que a onça pode te atacar.

Uma frase que ouvi de um madeireiro e que se tornou epígrafe de um dos meus livros, o “A Ferro e Fogo”, retrata bem esse cenário: ‘Aqui seu moço, homem não tem palavra, mulher não tem honra, terra não tem dono e árvore não tem raiz’.

Esse é um Brasil que ainda existe, onde a injustiça impera e crianças dormem com fome. A fotografia tem como foco o esclarecimento. Mostra para o público – “eis aí o seu país, cuide dele. Porque senão não verás país nenhum”, como cita Ignácio de Loyola Brandão.

Quando você faz um trabalho com essa envergadura acaba se transformando em referência no mundo. Minha tarefa ganha uma força não só estética, mas também política.

Carteis de madeira e grandes conglomerados de especulação imobiliária destruíram a Mata Atlântica brasileira. O Brasil sempre foi espoliado por estrangeiros e por falsos brasileiros. Não há consciência de nação, patriotismo, nada. É um trabalho de resistência.

É uma contribuição utópica. Sou um intérprete desse país. Minha matriz criativa é essa insondável e magnífica Amazônia. Tenho meu modelo de universo na aridez da caatinga, no agreste do cerrado, na deslumbrante Mata Atlântica. Temos uma fauna maravilhosa. É uma manifestação de Deus na Terra.

Abeta Naui worldadventuresociety Radio Bandeirantes Band News FM Canal Off 4x4brasil ajanelalaranja adventuremag aventurebox blogdescalada Challenging your Dreams colunadeturismo diariodoturismo extremos gazetaesportiva guiaviajarmelhor gpm hoteliernews istoe istoedinheiro revistaecoturismo macamp nadapedalacorre overlanderbrasil portadeembarque Qual Viagem Revista viaje mais Travejante Vagabundo Profissional Viajar e simples Viajando por esporte Viva Saude Web Venture .fagga saopauloexpo
Local do Evento
SÃO PAULO EXPO
Rodovia dos Imigrantes, KM 1,5
São Paulo, Brasil
COMERCIAL
+55 11 5067-1717 | 1770
comercial@adventurefair.com.br
INFORMAÇÕES, DÚVIDAS E SAC:
FALE CONOSCO
+55 11 5067-1717
+55 11 5067-1770
Atendimento: 09h às 20h
contato@adventurefair.com.br
Dúvidas:
COMPRA DE INGRESSO
SAC: Clique aqui
+55 (11) 4003-2051

Trade e Convidados
CREDENCIAMENTO
+55 (11) 2129-6323
credenciamento@credenciamentoweb.com.br