Em 2009, a organização da feira adaptou acessos e espaços, além de apresentar produtos e destinos para deficientes
Mapas com instruções em braile, piso tátil alerta/direcional, estandes no nível do chão ou com rampa acessível, atrações adaptadas, entrada preferencial, bilheterias com balcões mais baixos, mesas na praça de alimentação com lugares preferenciais, banheiros adaptados.
Mais: vagas de estacionamento reservadas, serviço de táxi adaptado, telefone acessíveis e para surdos (TPS) (um em cada lateral do pavilhão, junto aos telefones acessíveis e aos comuns), intérpretes de libras em horários determinados e o Seminário de Turismo Adaptado.
Estas foram as novidades da Adventure Sports Fair 2009 para o primeiro passo para oferecer o máximo de acessibilidade às pessoas com deficiências.
A iniciativa surgiu a partir de uma parceria da feira com a Aventura Especial e o Turismo Adaptado (organizações que promovem os esportes de aventura e o ecoturismo entre esse público), com o apoio de AVAPE, Revista Sentidos, Caso do Braille, IAPE, Instituto Via Viva, Hotel Campo dos Sonhos, Hotel Aventura Parque dos Sonhos e a consultoria de Edison Passafaro.
Pavilhão adaptado
De acordo com Elaine Paraguassu, representante da Aventura Especial, a feira “foi um barato”. Vimos cadeirantes, o que não vimos muito nos anos anteriores. Teve até congestionamento de cadeiras de rodas em alguns locais, o que é maravilhoso porque a gente percebeu que o público aderiu e encontrou um ambiente amigável para sua circulação”.
Ela explica que a presença dos deficientes tende a aumentar nos próximos anos. “É uma bola de neve, uma pessoa fala para a outra. A presença dos deficientes também é um aprendizado para todos, organizadores, expositores e visitante”, conta Elaine.
“E na medida em que eles começam a frequentar eventos dessa magnitude é que começamos a descobrir suas reais necessidades. Certamente, na próxima edição da feira, já teremos uma estrutura muito mais abrangente”, explica.
Equipamentos e acessórios
Produtos acessíveis também foram expostos, como cadeiras e bicicletas da Vanzetti, telefones para surdos (TPS) da Koller e a sinalização adaptada da Casa do Braile, usada no próprio evento. Luiz Fernando Vanzetti, diretor da empresa de cadeiras e bicicletas afirma que este é mercado em expansão. “O deficiente finalmente está sendo visto como um membro atuante da sociedade, com direitos e deveres. Este nicho vai crescer muito”, aposta. De acordo com Vanzetti, é necessário e justo que esta pessoa tenha o direito de encontrar lugares acessíveis.
Sem barreiras na feira e no turismo
A Avape, instituição filantrópica que luta pelos direitos das pessoas com deficiência, estreou, nesse ano, em uma feira de esportes e aventura. “Nós entramos numa parceria com o Sérgio Franco, trazendo ao expositor e visitante a questão da acessibilidade”, afirma o representante da organização e da Revista Sentidos, Denilson Nalin. Já tendo o conhecimento da adaptação em empresas e municípios, a Avape auxiliou nas mudanças da feira e os expositores também aderiram à causa.
“Vir à feira e ter segurança de transitar sem barreiras fez toda a diferença”, afirma Nalin que também explica a necessidade de eliminar barreiras quanto às atitudes, ao respeito e à arquitetura. “Ainda estamos engatinhando nesse setor, mas já despertamos o interesse dos empresários. Cerca de 27 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência. Esse é um mercado que não se pode ignorar”, destaca. “A bola da vez é a acessibilidade”, afirma.
Já sobre a participação da revista Sentidos, Nalin explica que, desde 2004, a publicação traz o turismo em seu conteúdo. “E assim chegamos a Socorro”, diz, remetendo à cidade do interior paulista que é referência no Brasil em aventura e acessibilidade.
Socorro Acessível
“Começamos com o Projeto Aventureiros Especiais, que adaptou algumas atividades de aventura. Fomos criando outros por necessidade, porque não tínhamos locais e pontos turísticos adaptados”, conta Michael Golo, representante da cidade de Socorro, cujo cartão de visitas é também escrito em braile.
O projeto Socorro Acessível, parceria da prefeitura e do Ministério do Turismo com a AVAPE, adaptou os locais públicos às pessoas com deficiência e, com o passar do tempo, a iniciativa privada também aderiu. Dentre estes estão o Hotel Fazenda Campo dos Sonhos e o Hotel Aventura Parque dos Sonhos, empreendimentos privados de turismo acessível. Todo o público pode aproveitar da natureza enquanto descansa em jacuzzis, realiza rafting e rapel ou até mesmo desce na tirolesa de um quilômetro com assento adaptado. Esta última atração foi trazida à feira em menor proporção, para dar aos visitantes uma ideia da diversão que podem encontrar em Socorro.
De acordo com o representante dos hotéis na feira, Gustavo Sato, todos os trabalhadores que lidam com as pessoas com deficiência passam por um curso preparatório. “Já que é um público mais sensível, o pessoal que recebe o treinamento com certeza os atende melhor”, explica Sato.