Em meio à crise, Adventure Sports Fair mantém investimento e fôlego nos esportes de ação e aventura

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Contrariando a falta de perspectivas do mercado devido à crise que o país vive desde o ano passado, a Adventure Sports Fair, feira de esportes de ação e aventura, manteve o investimento e muito do fôlego dos anos anteriores. De acordo com Sergio Bernardi, organizador do evento, "o conceito de trazer novos adeptos com atividades e oficinas, que tornou a feira popular, foi mantido".

O número de expositores, no entanto, é menor do que nos anos anteriores. Algumas marcas nacionais não conseguiram fazer o investimento para montar estandes. Alguns Estados, como o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul, não enviaram representantes das suas secretarias de turismo, como costumavam fazer.

Mesmo assim, a feira promete ser o sucesso de público que já foi em outras edições. A explicação para isso é que o visitante pode até gostar dos produtos que encontra lá e querer comprá-los, mas se interessa mesmo pela expectativa das experiências que pode viver. Ou, pelo menos, que pode sonhar em viver.

Um exemplo dessa aposta vem das empresas da área automotiva. O setor sofreu bastante com as incertezas do mercado entre 2015 e 2016, mesmo assim (ou até por isso) os expositores resolveram investir em ações para encher os olhos dos visitantes, como test drives com pick ups 4x4. De acordo com Bernardi, "eles estão se adaptando ao mercado e investindo em um nicho que compra estilo de vida".

Lilian Notomi, empresária e instrutora de mergulho, concorda e acrescenta que "as pessoas que vêm aqui procuram experiências, agregar coisas boas na vida, viver os sonhos". Mas admite que o mercado perdeu um pouco do ritmo devido à alta do dólar. "Mergulhar envolve viagem e na crise a primeira coisa que se corta é a viagem. Se não corta, diminui". Apesar disso, a previsão para 2017 é de recuperação. "As compras para o ano que vem já estão melhores. Quem ama mergulhar não deixa de fazer isso. Não quer perder a qualidade de vida que conquistou", conclui a empresária.

Esse é o sentimento da família Leal, mas em um esporte diferente. Miguel tem 6 anos e já manda muito bem no skate, até parece profissional. Aprendeu com o pai, que o apresentou à pranchinha quando ele tinha 3 anos e o amor pelas rodinhas acabou mundando a vida da mãe também. Ela não tem coragem nem de subir na prancha, mas vive intensamente o estilo de vida dos filhos e do marido. "O tênis mudou, a roupa mudou, tudo muda. Até larguei a bolsa e adotei a mochila. Eles gostam de dar palpite em como me visto", conta Eva Leal.

As pranchas também são parte importante da vida do empresário Francisco Rodrigues, que surfa e anda de skate há 30 anos. Ele decidiu largar a carreira sólida que tinha no marketing para fabricar skates. Seu desafio era conseguir trazer a experiência do surfe pra o asfalto. Com isso, desenvolveu os skates para surfar e também uma prancha que simula os movimentos do stand up paddle, o skate paddle. Cada prancha dessa custa, em média, R$ 1.600.

Francisco conta que o mercado esfriou com a crise, mas a empresa não parou de vender. Ele fala também que o esforço para manter o negócio vale a pena, porque agora ele trabalha no que gosta. "Prefiro trabalhar 15 horas por dia no meu sonho do que 8 horas no sonho de alguém", filosofa.

PRAIA NA CIDADE

Antonio Ferreira Junior concorda que as pessoas que consomem produtos de esportes de ação não compram somente equipamentos e vestuário, mas o lifestyle que está associado a esse mundo, por isso resolveu investir em ações para trazer esse consumidor mais para perto. Uma das iniciativas que ele teve através de sua loja, a Flutuar, foi apoiar o aplicativo ESPN Surfstars com os prêmios que são distribuídos a cada etapa. Além disso, a empresa patrocina os surfistas Murillo Coura, Larissa Florêncio e Marina Rezende.

A aposta mais recente do empresário foi criar uma loja conceito voltada ao público do surfe em São Paulo. A Flutuar começou somente com vendas online, oferecendo produtos nacionais e importando equipamentos de lugares como a Austrália e a Califórnia. Mas Antonio queria mais. Queria que o público que consome o esporte tivesse acesso às quilhas e roupas que só poderia encontrar no exterior antes, mas também pudesse vivenciar a experiência do mundo do surfe e que, mesmo estando no meio da cidade, se sentisse na praia. A proposta da loja é ser um ambiente em que os clientes possam ver filmes de surfe, exposições, shows e até as transmissões do WCT com a ESPN.